O que significam os últimos passos para fortalecer os laços do BRICS para comércio, investimentos e riscos empresariais?

Fevereiro 1, 2026

Catalisador: no final de novembro e início de dezembro de 2025, uma conjunção de sinais políticos (visita confirmada de líderes, série de acordos bilaterais) e eventos econômicos (previsões públicas sobre o crescimento do comércio intragrupo, precedentes judiciais envolvendo contratantes ocidentais) intensificou a agenda econômica pragmática dentro do BRICS e entre parceiros. Assim, a próxima visita do presidente da Rússia à Índia foi nomeada pelo Ministério das Relações Exteriores indiano como um instrumento para “fortalecer a parceria estratégica especial e privilegiada”, conforme informa o RBC; simultaneamente, especialistas nos bastidores de fóruns do setor preveem que o volume de negócios do BRICS cresça para US$ 750–800 bilhões até 2030, segundo transmite o PRIME.

Qual foi a reação dos países-chave e dos parceiros comerciais a esses passos?

Resposta breve: a reação é um aumento pragmático dos contatos econômicos bilaterais e o alinhamento de instrumentos práticos para a implementação de projetos. O Ministério das Relações Exteriores indiano prepara um pacote de acordos para a visita russa, enfatizando a continuidade dos contatos regulares (RBC). Paralelamente, países como Belarus promovem ativamente programas de exportação e investimento e produção de montagem em novas jurisdições parceiras — exemplo de Mianmar, onde foram acordados a montagem de tratores e fornecimentos farmacêuticos, conforme descreve a Belarus Segodnya.

A diplomacia de trabalho é acompanhada por previsões comerciais e preparação dos mercados: representantes comerciais da Rússia veem crescimento no volume de negócios com a África e especialmente com a Nigéria, onde o volume projetado de comércio para o horizonte de 2025 é estimado em US$ 30 bilhões, conforme informa o “Tatar-inform”.

Quais consequências sistêmicas isso pode ter para os fluxos comerciais e a arquitetura financeira do BRICS?

Resposta breve: fortalecimento do comércio intragrupo e aceleração da diversificação prática das cadeias de suprimentos e rotas financeiras. Avaliações de especialistas apontam para a possibilidade real de crescimento do volume de negócios do BRICS dos atuais ~US$ 550 bilhões para US$ 750–800 bilhões até 2030, desde que haja digitalização de procedimentos e unificação de documentação, conforme explicou Vitaly Cherkasov (PRIME).

O crescimento do comércio intragrupo será acompanhado por medidas pragmáticas: criação de formatos digitais unificados de documentos, “balcão virtual único” e aceleração da análise de propostas de projetos — passos destinados a reduzir custos transacionais e riscos de implementação de grandes projetos de infraestrutura.

“O volume de negócios entre os países do BRICS pode crescer dos atuais 550 bilhões para 750–800 bilhões de dólares até 2030”, — conforme cita o PRIME Vitaly Cherkasov.

Adendo sobre canais regionais: a intensificação da interação com a África (Nigéria — um grande mercado de energia e produtos agro) e a expansão para o Sudeste Asiático por meio de projetos bilaterais (exemplo — acordos bielorrussos-mianmarenses sobre montagem de tratores e fornecimentos farmacêuticos) ampliam a geografia e a nomenclatura do comércio, reduzindo a concentração de riscos em mercados individuais, conforme mostram os materiais sobre Mianmar.

Quais riscos táticos e oportunidades isso cria para exportadores e investidores nos próximos 12–36 meses?

Resposta breve: oportunidades — expansão da demanda e novos polos de produção; riscos — interrupções operacionais em grandes projetos e contornos jurídicos de responsabilidade dos contratantes.

Pontos-chave:

  • Aumento da demanda projetual por infraestrutura e máquinas: no cenário de digitalização de procedimentos e “balcão virtual”, os prazos dos projetos de EPC aceleram; esta é uma chance para contratos EPC e fabricantes de máquinas (ligado às estimativas de crescimento do comércio do BRICS), conforme registra o PRIME.
  • Risco de ruptura de grandes projetos energéticos e químicos devido a disputas judiciais e restrições sanitárias: a arbitragem de Moscou cobrou da italiana Tecnimont mais de US$ 2 bilhões em um caso sobre uma fábrica não concluída na região de Leningrado; no arquivo do caso constam riscos de arresto de ativos e impacto sobre projetos no Cazaquistão no valor de ~US$ 10,4 bilhões — exemplo direto de risco de contraparte e trânsito para projetos internacionais, conforme escreve detalhadamente o “Kursiv”.
  • Novos mercados finais e janelas logísticas: a Nigéria e uma série de países africanos representam demanda por máquinas agrícolas, fertilizantes, energia e produtos farmacêuticos; previsões de representantes comerciais sugerem um crescimento substancial do volume de negócios — esta é uma oportunidade comercial direta para exportadores e investidores, conforme indica o “Tatar-inform”.
  • Localização da produção como instrumento de redução de riscos: exemplos do conjunto rodoviário bielorrusso-mianmarense (montagem de tratores com início em 2026, cooperação farmacêutica) demonstram o modelo “microprodução + exportação para a região”, reduzindo riscos logísticos e aduaneiros, conforme mostra a reportagem.

Recomendações práticas curtas para tomadores de decisão em empresas russas e parceiras do BRICS

Breve e direto — o que fazer agora:

  • Verifique e atualize as cláusulas dos contratos com contrapartes sobre força maior, sanções e retenção de executores; avalie o risco de represálias contra contratantes estrangeiros e a possibilidade de garantia de ativos em jurisdições amigáveis (precedente com a Tecnimont), conforme registra o “Kursiv”.
  • Priorize a localização de componentes críticos: calcule a economia de montagem/processamento nos mercados-alvo (exemplo — produção de montagem de tratores em Mianmar) para reduzir a dependência de longas cadeias de suprimentos, conforme mostram os exemplos.
  • Use a aceleração da digitalização de procedimentos do BRICS: implemente formatos eletrônicos compatíveis de documentação e “balcão único” ao preparar propostas de projetos — isso reduzirá o tempo de aprovações e aumentará a competitividade, de acordo com a agenda de trabalho do fórum, citada no PRIME.
  • Avalie os mercados da África e do Sudeste Asiático como canais alternativos de crescimento: forme propostas de nicho (agrotecnologia, fertilizantes, fármacos, serviço de manutenção) e planeje programas de investimento de longo prazo considerando particularidades culturais e regulatórias, conforme recomendam representantes comerciais na Nigéria e no exemplo dos acordos bielorrussos-mianmarenses (veja Tatar-inform, Belarus Segodnya).
  • Prepare cenários de defesa jurídica e de relações públicas em caso de arresto de ativos ou batalhas judiciais públicas com contratantes estrangeiros; trabalhe as opções de reestruturação de contratos e uso de mecanismos legais locais.

Conclusão: a pragmática geopolítica agora se converte em instrumentos econômicos — digitalização de procedimentos, localização da produção e expansão da geografia regional do comércio. Para as empresas, isso significa simultaneamente novos mercados de demanda e maior complexidade operacional: saem ganhando aqueles que sistematicam contratos antecipadamente, localizam cadeias críticas e constroem cenários jurídicos flexíveis.