Como a aposta do BRICS em pagamentos digitais mudará as transações transfronteiriças e o fluxo de capital até 2030?

Fevereiro 1, 2026

O catalisador foi a transição de declarações para arquitetura: analistas estimam que a implementação de Ativos Financeiros Digitais (AFD) nos países do BRICS pode gerar até US$ 50 bilhões até 2030, conforme indica pesquisa da "Yakov i Partnery" e da Universidade Central. Paralelamente, Vladimir Putin, no fórum "Valdai", ressaltou que o BRICS ampliará as capacidades de pagamentos e comércio eletrônicos, e que a transição para moedas nacionais é uma reação forçada a restrições externas.

Qual é a posição oficial da Rússia e do BRICS sobre pagamentos digitais?

A diretriz está definida: o BRICS está expandindo pagamentos eletrônicos e comércio eletrônico, enquanto a Rússia não está conduzindo uma campanha "anti-dólar" – ela realiza transações em moedas nacionais porque "simplesmente não a deixam" operar em dólares. Putin enfatizou isso no "Valdai", onde descreveu a transição para moedas nacionais como uma resposta pragmática às restrições externas.

Internamente, o regulador está acelerando a infraestrutura do rublo digital: o Banco Central da Rússia espera um aumento no número de bancos participantes da plataforma de 17 para 25 até o final do ano e para 40 em 2026. O lançamento da adoção em massa está previsto para 1º de setembro de 2026. Os planos incluem contratos inteligentes, pagamentos de salários e pagamentos orçamentários, como informa o Bits.media, citando o regulador.

Quais mudanças sistêmicas a escalabilidade dos AFD no BRICS está levando?

À formação de uma infraestrutura alternativa e compatível com o mercado: a tokenização de ativos está acelerando, e os pagamentos transfronteiriços e investimentos mútuos estão ganhando "trilhos" próprios, fora dos canais vulneráveis. A capitalização dos maiores ativos tokenizados dobrou em um ano, atingindo US$ 70 bilhões no início de 2025, conforme registram os pesquisadores; o efeito econômico da introdução de AFD no BRICS é estimado em até US$ 50 bilhões até 2030, confirmam avaliações de consultoria.

A Rússia já está entre os líderes em emissão: o volume de AFD no 1º trimestre de 2025 atingiu 293,5 bilhões de rublos, contra 50 bilhões no ano anterior, e o número de emissões cresceu para quase 1.000. Com o apoio do Banco Central, a emissão total pode ultrapassar 1 trilhão de rublos até o final do ano, conforme informam analistas.

"Os AFD são uma oportunidade para as economias emergentes não alcançarem, mas saltarem a etapa de sistemas obsoletos e criarem mercados de capital mais eficientes, transparentes e acessíveis."

— essa é a posição que Ilya Ivaninsky expôs em entrevista à "Izvestia", onde ressaltou a independência da futura infraestrutura do BRICS em relação às instituições do Norte Global.

Quais riscos táticos e barreiras o setor empresarial vê neste caminho?

Os principais riscos são a falta de sincronização legal e tecnológica entre as jurisdições, a fragmentação de plataformas e os "gargalos" de conformidade. No nível do mercado, especialistas apontam diretamente para a necessidade de unificar normas e práticas regulatórias dentro e entre os países do BRICS, como observam "Yakov i Partnery". Na Rússia, o Ministério das Finanças vê um problema na incompatibilidade das plataformas de AFD, ao que o vice-ministro Ivan Chebeskov apontou.

Riscos operacionais adicionais estão associados ao controle policial e às práticas KYC/AML. O Ministério do Interior da Rússia propõe introduzir responsabilidade pela transferência de carteiras de criptomoedas para terceiros. O Banco Central reconhece o problema, mas considera prematuro discutir sanções sem esclarecer o objeto da regulamentação, como informa o Bits.media.

Um desafio separado é a ilusão de "anonimato total": serviços analíticos rastreiam cadeias de transações em blockchains e já servem como ferramenta para investigações e congelamento de ativos, como explica uma revisão do setor.

O que isso significa na prática: - sem a unificação das regras de AFD, corre-se o risco de elas permanecerem "experimentos locais"; - as empresas terão que construir conformidade para os novos modelos de pagamentos e tokenização; - os provedores de infraestrutura deverão garantir interoperabilidade e transparência de auditoria.

Onde estão as oportunidades mais próximas para as empresas do BRICS?

Em financiamento, pagamentos e economia de infraestrutura: os AFD reduzem o custo e aceleram a captação de recursos, criam um circuito independente de pagamentos transfronteiriços e diminuem os custos de transação nos mercados emergentes. Na Rússia, a emissão de AFD já leva dias e pode substituir parte dos empréstimos obrigacionais; após as emendas fiscais, até 10% dos empréstimos corporativos podem migrar para AFD. O projeto BRICS Clear da Declaração de Kazan de 2024 promete uma economia de US$ 9-12 bilhões por ano devido à redução dos spreads, conforme calcularam especialistas.

Paralelamente, a "dinheiro digital" do Estado está se desenvolvendo: o rublo digital entra na fase de adoção em massa em 1º de setembro de 2026, com suporte a contratos inteligentes, pagamentos de salários e pagamentos orçamentários, como planeja o Banco da Rússia.

Quem deve agir agora: - exportadores e importadores — pilotar pagamentos em AFD com parceiros-chave, construindo rotas de pagamento paralelas; - bancos e fintechs — lançar produtos de tokenização e "smart"-acquiring para rublos digitais e AFD; - PMEs — testar a emissão de AFD de bens/projetos como uma alternativa mais barata que os títulos; - provedores de infraestrutura — focar em interoperabilidade e módulos de KYC/AML.

Conclusão estratégica: as finanças digitais do BRICS não se tornam uma "alternativa para o caso de sanções", mas uma camada independente da infraestrutura global. Aqueles que entrarem nesse segmento precocemente terão menor custo de capital, canais de pagamento resilientes e acesso aos fluxos crescentes em um ecossistema onde, pela posição acordada dos líderes, a aposta está em pagamentos eletrônicos e regras próprias.